BH testa semáforo com contagem regressiva e barra de LED no chão; equipamento chega ao Centro nesta sexta
A PBH levou à Rua da Bahia com Rua Goiás o semáforo com contagem regressiva e barra de LED no meio-fio. No 1º teste, 91% aprovaram o equipamento.
A Prefeitura de Belo Horizonte ampliou nesta sexta-feira (17) o teste de um conjunto de equipamentos voltado à segurança de quem atravessa a rua. Os dispositivos foram instalados no cruzamento da Rua da Bahia com a Rua Goiás, no Centro, e combinam duas coisas: um contador regressivo no foco de pedestres e barras de LED embutidas na borda da calçada, sincronizadas com o semáforo.
Quando a travessia está liberada, a barra acende em verde. Quando é hora de esperar, acende em vermelho.
Como o equipamento funciona
A ideia por trás do conjunto é simples e resolve um problema que todo mundo que anda a pé em BH conhece: saber quanto tempo ainda resta para atravessar.
O semáforo tradicional dá uma informação binária — pode ou não pode. O que ele não diz é o quanto falta. O pedestre que chega ao meio-fio com o boneco já verde precisa adivinhar se dá tempo, e a adivinhação costuma errar justamente com quem tem mais a perder: idosos, pessoas com mobilidade reduzida, quem está com criança pela mão.
O contador regressivo troca a adivinhação por um número. A barra de LED no meio-fio faz a mesma informação chegar por outro caminho: ela fica no campo de visão de quem está olhando para baixo — para o celular, para o degrau, para o próprio caminho.
Os resultados do primeiro teste
O equipamento não é estreia absoluta na capital. Desde março de 2026, um conjunto igual vem sendo testado nas imediações do Shopping Cidade, também na região central.
A pesquisa feita com quem usou a travessia naquele ponto trouxe números que explicam a expansão de agora:
- 91% dos usuários afirmaram que o equipamento ajuda na travessia
- 92% apoiaram a ampliação da iniciativa para outras regiões da cidade
São índices altos para qualquer intervenção urbana. Vale a ressalva metodológica de sempre: pesquisa de percepção mede o que as pessoas acham, não o que elas fazem. Aprovar o equipamento não é a mesma coisa que atravessar com mais segurança por causa dele — isso só aparece em dado de sinistro, ao longo do tempo, e é justamente o que a fase de demonstração pretende observar.
Quem toca o projeto
A gestão do teste e a coleta dos dados são da BHTrans. Segundo as informações do projeto, a instalação e a manutenção dos dispositivos ficam por conta das empresas fornecedoras durante a fase de demonstração, e os equipamentos são transferidos à BHTrans ao fim do período de teste.
O modelo tem uma vantagem prática: a prefeitura avalia a tecnologia em operação real antes de decidir se compra — e antes de gastar dinheiro público replicando o sistema por dezenas de cruzamentos.
A BHTrans segue avaliando a eficiência da tecnologia e a percepção dos pedestres durante essa fase.
Por que o Centro, e por que esse cruzamento
A escolha da Rua da Bahia com Rua Goiás não é aleatória. É uma esquina de fluxo intenso, com circulação de pedestres o dia inteiro, comércio nos dois lados e um perfil de usuário variadíssimo — de quem vai ao trabalho a quem está de passagem e não conhece o tempo daquele semáforo.
É, em outras palavras, um bom laboratório. Se o equipamento funciona ali, funciona em quase qualquer lugar da cidade. Se não funciona ali, também é melhor descobrir agora.
Há também um contraste útil embutido na escolha. O primeiro teste foi nas imediações de um shopping — público mais previsível, fluxo mais concentrado em certos horários. A Rua da Bahia com a Rua Goiás é o oposto: circulação espalhada pelo dia inteiro, gente apressada, gente idosa, gente carregando compra, gente que nunca passou ali antes. Comparar o desempenho nos dois pontos vale mais do que somar os dois.
Uma tecnologia que não é nova — e isso é bom
Contagem regressiva em semáforo de pedestre não é invenção brasileira nem novidade mundial. O recurso existe há anos em várias cidades e é razoavelmente bem estudado: em linhas gerais, a literatura internacional indica que informar o tempo restante reduz a travessia iniciada em cima da hora e diminui a hesitação no meio da pista.
A barra de LED embutida no meio-fio é a parte mais recente da combinação, e a lógica dela é reconhecidamente ligada a um problema contemporâneo: o pedestre que atravessa olhando para o celular. Em vez de brigar com esse hábito, o equipamento leva a informação até onde o olhar já está — o chão.
Dá para achar isso uma capitulação. Também dá para achar realismo. Projeto viário que depende de as pessoas se comportarem como deveriam costuma ter desempenho pior do que projeto que aceita como elas de fato se comportam.
O que ainda não se sabe
Vale ser direto sobre os limites do que foi divulgado até aqui.
Não há, no material disponível, dados de atropelamentos nos pontos testados — nem antes, nem depois da instalação. Também não foi informado o custo do equipamento por cruzamento, nem existe cronograma público de expansão para outras regiões, apesar da aprovação de 92% registrada na primeira pesquisa.
São informações que fazem diferença. O que decide se essa tecnologia merece virar política pública não é a simpatia que ela desperta — é se ela reduz sinistro e a que preço. Por enquanto, o que existe é um teste bem avaliado por quem usou, num segundo ponto da cidade, com dado de segurança ainda por vir.
Enquanto isso, o de sempre
Até que o equipamento se espalhe — se é que vai —, a travessia em BH segue dependendo do combinado antigo: olhar para os dois lados, não confiar que o carro vai parar só porque o sinal fechou, e desconfiar da moto que vem pelo corredor. Nenhuma barra de LED substitui isso.
Mas é bom ver a cidade testando alguma coisa pensada para quem anda a pé. Faz tempo que a fila de prioridades no trânsito de Belo Horizonte não começa por aí.
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