Saúde lidera as queixas dos mineiros e Simões tem 36% de aprovação: o que a Quaest mediu em Minas
Genial/Quaest ouviu 1.482 eleitores em Minas: saúde é o maior problema para 28%, Simões tem 36% de aprovação e 80% querem alguma mudança de rota.
Perguntado sobre qual é o maior problema de Minas Gerais, o eleitor mineiro respondeu com uma palavra só, e por uma margem larga: saúde. A área foi citada por 28% dos entrevistados na pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta semana — o dobro da segunda colocada, violência, com 14%.
No mesmo levantamento, o governo de Mateus Simões aparece com 36% de aprovação e 28% de desaprovação. E um terceiro número, geralmente ignorado nas manchetes, talvez seja o mais revelador de todos: 36% dos entrevistados não souberam ou não responderam sobre a aprovação do governo.
O que a pesquisa mediu
O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e ouviu 1.482 eleitores com 16 anos ou mais, entre 22 e 26 de julho de 2026. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, com 95% de nível de confiança. O registro no Tribunal Superior Eleitoral é o MG-034/90/2026.
São números de campo recente — coletados na semana passada — o que os torna uma fotografia razoavelmente atual do humor mineiro.
Os números do governo Simões
Na pergunta direta de aprovação:
- Aprova — 36%
- Desaprova — 28%
- Não sabe / não respondeu — 36%
Na avaliação qualitativa da gestão, o desenho muda um pouco:
- Regular — 30%
- Positiva — 28%
- Negativa — 16%
- Não sabe / não respondeu — 26%
Duas leituras saltam daí. A primeira é que a rejeição declarada é baixa: 16% classificam a gestão como negativa. A segunda é que o desconhecimento é alto — somando "não sabe" e "regular", mais da metade dos mineiros não emitiu juízo firme sobre o governo estadual.
Para um governante em ano eleitoral, isso é ambíguo. Espaço para crescer existe. Mas espaço para crescer é também espaço para ser definido pelo adversário.
O contraste com Zema
O antecessor aparece com números bem mais consolidados. Romeu Zema registra 52% de aprovação e 41% de desaprovação, com apenas 7% de indefinidos.
Na avaliação da gestão: 37% positiva, 33% regular, 23% negativa, 7% sem opinião.
O que separa os dois retratos não é exatamente a preferência — é o reconhecimento. Zema divide opiniões de forma nítida: quem gosta gosta, quem não gosta não gosta, e quase ninguém fica em cima do muro. Simões, que assumiu o cargo mais recentemente, ainda é uma figura em formação para boa parte do eleitorado.
Comparar os dois percentuais de aprovação lado a lado, como se fosse um placar, portanto, engana. São estágios diferentes de exposição pública.
Consertar, mudar ou continuar
Uma das perguntas mais interessantes do levantamento trata do rumo desejado para o estado. As respostas:
- Consertar só o que está ruim — 41%
- Mudar completamente — 39%
- Continuar o trabalho atual — 16%
- Não sabe / não respondeu — 4%
Some as duas primeiras: 80% dos mineiros querem alguma forma de correção de rota. Apenas 16% assinam embaixo da continuidade pura.
Esse é o dado que mais deveria preocupar quem defende a manutenção do que está posto, e o que mais deveria animar quem se apresenta como alternativa. Só que ele vem com uma armadilha: os 41% que querem "consertar o que está ruim" não são um bloco de oposição. São eleitores que reconhecem acertos e cobram ajustes — um público que pode ir para qualquer lado, dependendo de quem parecer mais capaz de fazer o conserto sem quebrar o resto.
Saúde, violência e o resto
O ranking dos problemas apontados pelos mineiros:
| Problema | Menções |
|---|---|
| Saúde | 28% |
| Violência | 14% |
| Economia | 8% |
| Educação | 8% |
| Infraestrutura | 8% |
A distância entre o primeiro e o segundo lugar é o dado mais eloquente da pesquisa inteira. Saúde não lidera por pouco: lidera por 14 pontos, e sozinha responde por mais menções do que economia, educação e infraestrutura somadas.
Isso conversa com a realidade cotidiana de quem depende do SUS em Minas — fila de consulta especializada, distância até o serviço de referência, transporte de paciente entre municípios do interior. Não é uma percepção abstrata; é o que se vive na porta do posto.
Vale um adendo que a pesquisa não separa, mas que aparece cada vez mais nos serviços: quando se fala em saúde no Brasil de hoje, uma fatia crescente da demanda é de saúde mental — afastamentos do trabalho, ansiedade, sofrimento psíquico —, e essa parte do sistema costuma ser ainda mais escassa que a clínica geral.
O que a pesquisa não diz
Três cuidados, para não esticar os números além do que eles suportam.
Margem de erro é para os dois lados. Com 3 pontos, uma diferença de 4 ou 5 pontos entre dois itens é apertada. As menções a economia, educação e infraestrutura (8% cada) estão empatadas tecnicamente entre si.
Pesquisa não é previsão. Ela mede o que o eleitorado pensava entre 22 e 26 de julho. Falta tempo até outubro, e o campo eleitoral em Minas ainda tem definições em aberto.
Alto "não sabe" é instabilidade, não neutralidade. Os 36% de indefinidos sobre o governo Simões não são um bloco parado. São o pedaço do eleitorado que pode se mover mais — e mais rápido — assim que a campanha entrar em rede nacional.
Para quem acompanha política mineira, a leitura mais honesta desta rodada é essa: um governo ainda pouco conhecido, um antecessor com imagem definida, um eleitorado que quer mudança sem ruptura, e a saúde como o assunto que decide conversa em qualquer cidade do estado — de Belo Horizonte a Montes Claros.
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Perguntas frequentes
Quem encomendou a pesquisa Quaest em Minas Gerais?
O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e realizado pela Quaest, com registro no Tribunal Superior Eleitoral sob o número MG-034/90/2026.
Quantas pessoas foram ouvidas e quando?
Foram 1.482 eleitores com 16 anos ou mais, entrevistados entre 22 e 26 de julho de 2026, com margem de erro de 3 pontos percentuais e 95% de nível de confiança.
O que significa a margem de erro de 3 pontos?
Significa que cada percentual pode variar 3 pontos para cima ou para baixo. Na prática, itens separados por 4 ou 5 pontos estão em situação apertada, e os três problemas empatados em 8% (economia, educação e infraestrutura) estão tecnicamente empatados entre si.
Por que tanta gente não soube responder sobre o governo Simões?
Os 36% de indefinidos indicam baixo reconhecimento público do governante, e não indiferença. Esse contingente costuma se mover mais rápido do que o eleitorado já definido assim que a campanha ganha visibilidade nacional.