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Cleitinho, Aro e o Palácio Tiradentes: 8 perguntas para entender a confusão na eleição de Minas

O partido anunciou apoio a Marcelo Aro, o senador disse que é candidato assim mesmo. Entenda o impasse, as regras e quem já está na disputa em MG.

RRRedação Rei de Minas30 de julho de 2026 · 5 min de leitura
Cleitinho, Aro e o Palácio Tiradentes: 8 perguntas para entender a confusão na eleição de Minas

A quarta-feira (29) foi confusa até para os padrões de um ano eleitoral em Minas Gerais. Por volta das 10h20, o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, informou à GloboNews que o senador Cleitinho Azevedo não disputaria o governo do Estado. Cerca de 40 minutos depois, a assessoria do senador negou a informação. À tarde, em Divinópolis, Cleitinho subiu ao palanque e disse que será candidato.

No meio do caminho, o partido já havia anunciado apoio a outro nome: o ex-secretário de Estado de Governo Marcelo Aro (PP).

Separamos o que se sabe, o que a legislação permite e o que ainda está em aberto.

1. O que exatamente Cleitinho anunciou?

Que será candidato ao Governo de Minas Gerais pelo Republicanos. O anúncio foi feito em coletiva na Praça do Santuário, em Divinópolis, na quarta-feira (29), depois de semanas de indefinição.

Na mesma coletiva, o senador adotou tom conciliador com a legenda: disse que tem defeitos e pediu desculpas ao partido. “Espero do fundo do meu coração que, se a questão chateou o partido, peço desculpas para todos”, afirmou, acrescentando: “Eu vou ser candidato a governador pelo Republicanos, vamos resolver uma coisa de cada vez”.

2. E por que o partido disse o contrário?

Segundo o Republicanos, a legenda aguardou meses por uma definição que não veio, e a candidatura nunca foi formalmente assumida pelo senador. O partido afirma que trabalhou para viabilizar o projeto, mas decidiu reorganizar sua estratégia eleitoral.

O ponto de ruptura citado pela cúpula foi a ausência de Cleitinho na convenção estadual, realizada no sábado (25).

3. Existe uma explicação para essa ausência?

Existe, e ela é pessoal. O senador perdeu o irmão no sábado anterior, dia 18 — uma semana antes da convenção. Na coletiva, ele mencionou o luto ao pedir desculpas à legenda: “Só quem passa luto sabe o que é isso, ainda mais para uma doença como essa [câncer]”.

Na terça-feira (28), depois de aparecer na liderança de pesquisa eleitoral, Cleitinho publicou nas redes sociais um vídeo produzido com inteligência artificial em que versões digitalmente recriadas do pai e do irmão, ambos mortos, apareciam incentivando-o a seguir em frente. A publicação rendeu repercussão própria, e não só em Minas.

4. Ele pode simplesmente trocar de partido e se candidatar por outro?

Não. E este é o ponto mais importante de toda a história.

Pela regra eleitoral, o prazo de filiação partidária para as eleições deste ano terminou em 4 de abril. Uma eventual candidatura só pode ocorrer pela legenda à qual o político estava filiado nessa data. Cleitinho pode deixar o Republicanos sem perder o mandato de senador — mas não pode disputar o governo de Minas por outro partido em 2026.

Há um segundo detalhe decisivo: na prática, a palavra final sobre a participação de um político no pleito cabe ao partido, responsável pelo registro das candidaturas. Um candidato que não é registrado pela legenda não disputa a eleição, por mais votos que apareçam em pesquisa.

É por isso que o impasse não é retórico. Ele é jurídico.

5. Quem é Marcelo Aro?

Ex-secretário de Estado de Governo da gestão de Romeu Zema, filiado ao PP, apontado pelo Republicanos como o nome que passa a receber apoio da legenda na disputa estadual. Relatos da imprensa mineira tratam a costura como uma tentativa de unificar o campo da direita em torno de uma candidatura só.

Aro tem evitado se comportar publicamente como candidato. Em evento no Triângulo Mineiro na quarta-feira, preferiu um tom devocional: “Eu tenho certeza que, se for da vontade de Deus, as portas vão se abrir. E, se não for, que as portas se fechem. (...) Me ajudem a discernir para que a gente tome a decisão certa”.

Cleitinho, por sua vez, sinalizou trégua: “Acredito que o Marcelo Aro pode me apoiar e eu vou apoiar ele também”.

6. E o Novo, como fica nessa história?

Romeu Zema (Novo), hoje candidato à Presidência da República, afirmou na quarta-feira, em reunião com apoiadores e filiados em Uberaba, que foi pego de surpresa pela possibilidade de candidatura do ex-secretário.

O problema para o Novo é de espaço político: ao entrar na disputa, Aro passa a ocupar o mesmo terreno eleitoral de Mateus Simões, vice-governador e pré-candidato do partido à sucessão. Zema garantiu que a candidatura de Simões vai até o fim e que o nome do vice será anunciado até o dia 5 — “para o vice do Simões, será alguém do Partido Novo”, disse, citando Tiago Mitraud, ex-deputado federal, e Fernanda Altoé, vereadora em Belo Horizonte, entre as possibilidades.

7. As pesquisas ajudam a prever alguma coisa?

Ajudam a medir o ponto de partida, não o resultado. O levantamento Quaest divulgado na terça-feira (28) mostrou Cleitinho à frente na disputa pelo governo — foi justamente esse resultado que reacendeu a pressão sobre a definição da candidatura.

Mas pesquisa mede intenção de voto num cenário hipotético. Se um dos nomes testados não for registrado pelo partido, o cenário muda inteiro, e os votos se redistribuem de formas que nenhuma pesquisa anterior consegue antecipar.

8. Quando isso se resolve?

O calendário eleitoral já aperta. Convenções realizadas, prazo de filiação encerrado em abril, registros de candidatura com data marcada: a janela para mudança de estratégia é estreita e continua se fechando.

Na prática, há três desfechos possíveis. O Republicanos volta atrás e registra Cleitinho. O partido mantém o apoio a Aro e o senador fica fora da disputa estadual. Ou os dois lados chegam a um acordo em que um apoia o outro — a hipótese que o próprio Cleitinho colocou na mesa.

Para o eleitor mineiro, o que interessa é mais simples: até o registro das candidaturas, o cenário que aparece nas pesquisas não é o cenário que vai estar na urna.

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